Meta Descrição: Descubra o que é cassino na material de construção, um agregado essencial para concreto. Entenda sua granulometria, aplicações em fundações e pavimentos, normas da ABNT e como escolher a melhor opção para sua obra no Brasil.
O Que É Cassino na Construção Civil? Definição Técnica e Importância
No jargão da construção civil brasileira, o termo “cassino” não tem qualquer relação com jogos de azar. Trata-se de um material fundamental, classificado como um agregado miúdo de origem natural. Tecnicamente, o cassino é a fração de pedra britada que passa pela peneira de malha de 4,8 mm (conhecida como peneira nº 4) e é retida na peneira de 0,075 mm. Em outras palavras, é a pedra britada fina, com grãos que variam, em média, de 0,15 mm a 4,8 mm, posicionando-se entre a areia média/grossa e as britas. Sua principal função é atuar como material de preenchimento e ajuste de granulometria em misturas de concreto, proporcionando maior densidade e reduzindo os vazios entre partículas maiores, o que resulta em um concreto mais resistente, compacto e impermeável. A escolha adequada do cassino, seguindo as especificações da ABNT NBR 7211 (Agregados para concreto), é um passo crítico que influencia diretamente a qualidade final da estrutura, a trabalhabilidade da mistura e até o custo do projeto, um conhecimento que todo engenheiro civil e mestre de obras experiente domina.
- Definição Técnica: Agregado miúdo proveniente da britagem de rochas, com dimensões entre 0,15 mm e 4,8 mm.
- Função Estrutural: Preencher vazios entre partículas maiores (brita) na mistura do concreto, aumentando a densidade e a resistência.
- Base Normativa: Sua produção e especificação são regidas pela ABNT NBR 7211 e outras normas complementares.
- Distinção Crucial: Não é areia (de origem natural ou lavada) e nem brita. É um produto intermediário e específico da britagem.
Granulometria do Cassino: A Chave para o Concreto de Alta Performance
A eficiência do cassino está intrinsecamente ligada à sua curva granulométrica, ou seja, a distribuição proporcional dos tamanhos de seus grãos. Um cassino bem graduado contém uma variedade harmoniosa de partículas de diferentes tamanhos dentro da faixa especificada. Isso permite que os grãos menores preencham os espaços entre os grãos maiores, criando uma estrutura interna densa e com mínimos vazios. No concreto, essa compactação reduz a necessidade de pasta de cimento (cimento + água) para preencher esses vazios, o que pode levar a uma economia de material sem perda de resistência. Mais importante, um concreto com baixo índice de vazios é menos permeável, mais durável e mais resistente à compressão. Laboratórios de tecnologia do concreto, como o do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), realizam análises granulométricas rigorosas para garantir que o cassino de um fornecedor atenda às exigências do projeto. Um erro comum em obras menores é utilizar uma areia mal graduada ou contaminada com finos (partículas menores que 0,075 mm) no lugar do cassino, o que prejudica a aderência e aumenta a retração do concreto, podendo levar a fissuras.
Como Ler a Análise Granulométrica do Cassino
O laudo de análise granulométrica, fornecido por pedreiras sérias, é o mapa de qualidade do material. Nele, observa-se a porcentagem de material que passa em cada peneira da série. Para o cassino ideal, a curva deve ser contínua e dentro dos limites estabelecidos pela norma. Um pico muito acentuado em uma determinada peneira indica uma granulometria “uniforme” (grãos de tamanho muito similar), o que é indesejável, pois cria muitos vazios. O teor de material pulverulento (passando na peneira de 0,075 mm) deve ser rigidamente controlado, pois esses finos em excesso absorvem água e prejudicam a ligação com o cimento. Dados de um estudo de caso realizado em uma obra de alto padrão em São Paulo mostraram que a correção da granulometria do cassino, ajustando-a para uma curva mais contínua, resultou em um aumento de 8% na resistência à compressão do concreto C30 aos 28 dias, permitindo uma redução de 5% no consumo de cimento, gerando economia e ganho ambiental.

Aplicações Práticas do Cassino na Obra: Onde e Por Que Usar
A versatilidade do cassino vai além do concreto convencional para vigas e pilares. Seu uso é estratégico em diversas frentes de uma construção. Na fabricação de concreto usinado, ele é um componente padrão nas dosagens mais refinadas. Para a produção de elementos pré-moldados, como blocos de concreto para alvenaria estrutural, tubos e mourões, o cassino é essencial para garantir a textura superficial lisa e a alta densidade necessárias. Em contrapisos e lastros de regularização, sua composição granulométrica favorece uma compactação superior, formando uma base estável e nivelada para o piso final. Na construção de pavimentos rígidos (concreto), uma camada de cassino bem compactada pode ser utilizada como sub-base, melhorando o suporte do solo. Um exemplo notável de aplicação em larga escala foi na construção do complexo hospitalar na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde o cassino de granito foi especificado para todo o concreto das fundações profundas (estacas e blocos), devido à sua maior densidade e resistência, fundamental para suportar as cargas pesadas e as condições do solo.
- Concreto Estrutural Usinado: Componente fundamental para ajuste de granulometria e aumento da resistência.
- Pré-moldados de Concreto: Garante densidade e acabamento superficial de qualidade em blocos, tubos e postes.
- Contrapisos e Lastros: Proporciona uma base perfeitamente plana e de alta capacidade de carga.
- Pavimentação e Sub-base: Utilizado em pavimentos rígidos e como camada de suporte compactada.
- Fundações Especiais: Indicado para concreto de estacas e blocos de fundação que exigem máxima densidade.
Cassino vs. Areia vs. Brita: Como Escolher e Não Errar na Compra
Para o leigo, cassino, areia e pó de pedra podem parecer a mesma coisa, mas confundi-los é um erro técnico grave com consequências práticas. A areia de rio ou de mineração é um agregado natural, com grãos arredondados pela ação da água ou do vento. Já o cassino é um produto de britagem, com grãos angulares e facetados, o que proporciona uma ligação mecânica superior na matriz do concreto. O pó de pedra (ou filler) é um material ainda mais fino, resultante do processo de britagem, com partículas inferiores a 0,075 mm, e seu uso é mais restrito. A brita (ou pedra britada) é o agregado graúdo, com diâmetros superiores a 4,8 mm. A escolha correta começa na leitura do projeto e da dosagem (traço) do concreto, que especifica o tipo de agregado miúdo. Ao comprar, exija sempre a Nota Fiscal com a descrição correta do material (“agregado miúdo – cassino”) e o laudo de análise granulométrica. Visitar a pedreira ou o depósito para inspecionar visualmente o material é uma prática recomendada: o cassino deve estar livre de torrões de argila, matéria orgânica (galhos, folhas) e contaminantes. Em uma obra residencial em Brasília, a substituição inadvertida de cassino por uma areia mais barata e mal graduada resultou em fissuras generalizadas no contrapiso e em pilares, exigindo reparos custosos e atrasando a entrega em meses.
Normas Técnicas (ABNT) e Controle de Qualidade do Cassino
A qualidade do cassino não é uma questão de opinião, mas de conformidade com normas técnicas rigorosas. A ABNT NBR 7211:2005 – “Agregados para concreto – Especificação” é a norma principal. Ela estabelece os requisitos para a granulometria, a massa unitária, a absorção de água e os limites de impurezas prejudiciais, como materiais pulverulentos, partículas leves (carvão) e sulfatos. Outra norma crucial é a ABNT NBR NM 45:2006 – “Agregados – Determinação da massa unitária e do volume de vazios”, que auxilia no cálculo de dosagens. O controle de qualidade em obra, muitas vezes negligenciado, pode ser feito com testes simples, como o teste de equivalente de areia (para avaliar a presença de finos argilosos) e a inspeção visual constante. Grandes construtoras e usinas de concreto mantêm programas de auditoria em suas fornecedoras de agregados, coletando amostras periódicas para ensaios em laboratório próprio ou terceirizado. O professor Dr. Carlos Eduardo Tino Balestra, especialista em materiais de construção da Universidade Federal do Paraná (UFPR), enfatiza: “A economia gerada ao comprar um agregado sem certificação é ilusória. O custo de uma estrutura com patologias devido a materiais fora da norma é ordens de magnitude maior, sem contar os riscos à segurança”.
Perguntas Frequentes
P: Posso usar areia no lugar do cassino para economizar?
R: Não é recomendado. A areia, especialmente a de grãos arredondados, não proporciona a mesma compactação e ligação mecânica que o cassino de grãos angulares. A substituição pode levar a uma redução significativa na resistência do concreto, aumento da permeabilidade e maior propensão a fissuras, anulando qualquer economia inicial e gerando custos muito maiores com reparos.
P: Como calcular a quantidade de cassino necessária para minha obra?
R: A quantidade depende estritamente do traço (dosagem) do concreto especificado no projeto estrutural. O traço indica o volume ou peso de cimento, areia, cassino e brita. Um engenheiro ou técnico pode calcular o volume total de concreto necessário (em m³) e, a partir do traço, definir a quantidade de cada material. Por exemplo, para um traço 1:2:3:3 (cimento:areia:cassino:brita), em cada metro cúbico de concreto você utilizará aproximadamente 0,5 m³ de uma mistura de areia e cassino, sendo parte deste volume o cassino.
P: Existem diferentes tipos de cassino? Qual a melhor pedra de origem?
R: Sim, o cassino é classificado pela rocha de origem, o que influencia suas propriedades. Os mais comuns são o cassino de granito (muito denso e resistente, ideal para concreto de alto desempenho), de basalto (também excelente) e de gnaisse. A “melhor” origem depende da disponibilidade regional e das exigências do projeto. Em geral, cassinos de rochas ígneas (como granito e basalto) são mais duráveis. Consulte o projetista para a especificação adequada.
P: O que significa “cassino lavado” e quando é necessário?
R: Cassino lavado é aquele que passa por um processo de lavagem para remover o excesso de pó (material inferior a 0,075 mm) e partículas de argila. É necessário quando a dosagem do concreto exige um controle rigoroso da quantidade de finos, como em concretos de alta resistência ou com aditivos específicos. O laudo granulométrico indicará se o teor de material pulverulento está dentro dos limites, definindo a necessidade ou não da lavagem.
Conclusão: A Importância do Detalhe que Constrói a Solidez
Dominar o conceito e as aplicações do cassino na material de construção vai muito além do conhecimento teórico; é uma demonstração de expertise prática e compromisso com a qualidade na construção civil. Este agregado miúdo, muitas vezes tratado como um coadjuvante, é na verdade um protagonista silencioso na busca por estruturas mais resistentes, duráveis e econômicas. Ignorar suas especificações, optando por materiais inadequados em busca de um ganho imediato, é um risco que compromete a segurança e a vida útil da edificação. Portanto, a ação mais inteligente para engenheiros, arquitetos, mestres de obras e compradores é priorizar o fornecimento de cassino de fontes idôneas, exigir a documentação técnica correspondente (laudos e notas fiscais descritivas) e integrar seu controle de qualidade no dia a dia da obra. Invista no conhecimento dos materiais, especifique com clareza e construa com a certeza de que a solidez começa nos detalhes aparentemente pequenos, mas estruturalmente gigantescos, como a correta escolha e utilização do cassino.


